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Que alimentos oferecer primeiro

Provavelmente as perguntas que mais recebemos nas redes sociais estão relacionadas com que alimentos começar a introdução da alimentação complementar.

Qual o melhor alimento para oferecer primeiro? Que alimentos o bebé pode comer e não pode comer? Devo começar com fruta? Começar com fruta é prejudicial? Preciso começar com papas de cereais? Devo esperar 3 dias entre a introdução de 2 novos alimentos? Vamos tentar responder a todas estas questões e falar um pouco sobre as recomendações mais atualizadas.

Antigamente os bebés começavam a comer muito cedo, antes de estarem preparados fisiologicamente para comer. Isto criava muitas restrições nos alimentos que se podiam introduzir. Normalmente o bebé começava por comer papas de cereais sem glúten, normalmente arroz, que tem digestão fácil, maçã, pêra, banana, abóbora.

Hoje, as recomendações atualizadas é para que a introdução de alimentos sólidos seja feita a partir dos 6 meses, ou quando o bebé apresentar todos os sinais de prontidão. É só por volta dos 6 meses que o sistema digestivo do bebé está desenvolvido e pronto para receber alimentos.

Então se esperarmos até o bebé ter seis meses e todos os sinais de prontidão, que alimentos podemos introduzir primeiro?

A resposta rápida: qualquer um, desde que o bebé não tenha tido eczema, asma, alergia alimentar e não haja histórico de alergias alimentares na família.

Não importa se é fruta, vegetal, proteína animal, leguminosa ou hidrato de carbono. A escolha é sua. Só precisa garantir que tem consistência suave (consegue esmagar com as pontas dos dedos) e corte apropriado. Não precisa também ser um alimento de sabor doce, pode muito bem ser um florete de brócolos ou uma papa de courgete.

O mais importante, e isto é consensual entre todos os órgãos de saúde mundiais: temos de dar prioridade a alimentos ricos em ferro a partir do primeiro dia da introdução alimentar. Isto porque os bebés nascem com uma reserva de ferro que se esgota entre os 4 e os 6 meses e o leite materno tem pouco ferro.

Também devemos optar por alimentos o mais natural possível: A fase de introdução alimentar é uma fase de descoberta. O bebé vai conhecer os alimentos e definir o paladar dele ao longo dos primeiros anos de vida. Por isso é importante permitir que o bebé conheça o sabor dos alimentos separadamente. Se dermos sempre os brócolos triturados numa sopa que também leva batata doce, abóbora ou cenoura, o bebé não vai conhecer nunca o sabor mais amargo dos brócolos e vai ser mais difícil que os aceite mais para a frente, quando quiser introduzir o segundo prato.

Um de cada vez? Sim ou não?

Isto é um dos temas em que não há consenso. A recomendação de oferecer um alimento de cada vez e esperar alguns dias entre a introdução de cada alimento prende-se com o facto de que se o bebé tiver uma reação alérgica é mais fácil identificar o culpado. O problema é que – e esta é a principal razão pela qual médicos e (alguns) órgãos de saúde não sugerem oferecer um alimento de cada vez – ao limitarmos a oferta de alimentos estamos a limitar os nutrientes que damos ao bebé nos primeiros meses e que são tão importantes nesta fase. Temos que priorizar os alimentos ricos em ferro, se temos que aproveitar a janela imunológica, se oferecermos um alimento a cada 3 dias ficamos super limitados no que oferecer ao bebé.

A American Academy of Pediatrics sugere esperar 3 dias entre 2 alimentos, assim como a DGS. Já o Ministério da Saúde do Canadá, o National Health System do Reino Unido, o Ministério da Saúde do Brasil (os mais atualizados em termos de recomendações) não falam em esperar entre a introdução de dois alimentos, a não ser que sejam alimentos que possam causar alergia alimentar.

E os frutos cítricos?

Também podem ser oferecidos a partir dos 6 meses. É importante que o bebé tenha contacto com sabores ácidos também. Nascemos com preferência pelo sabor doce, por isso é muito importante expormos o bebé desde cedo a outros sabores também, como o ácido e o amargo.

É apenas importante saber que bebés e crianças com Síndrome de Alergia Oral podem ter reação à laranja, que normalmente aparece pouco tempo depois de consumir e se manifesta com edema, comichão ou inchaço, tipicamente à volta da boca, na boca ou garganta. Então como com todos os alimentos, começamos sempre devagar. Pode ver mais sobre a laranja aqui.

Devido à acidez, as laranjas podem causar ou piorar assaduras ou causar reacções de contacto normalmente à volta da boca.

E os frutos vermelhos?

Também podem ser oferecidos a partir dos 6 meses. Ricos em vitamina C (que potencializa a absorção de ferro de fontes vegetais) e cheios de antioxidantes, os frutos vermelhos são alimentos maravilhosos para adicionar na alimentação infantil.

Ao contrário do que se pensa, os morangos não estão entre os alérgenos alimentares mais comuns. Mas se seu filho teve recentemente uma reação alérgica (alimentar ou não), não ofereça morangos e outras frutas que libertam histamina porque podem causar uma reação alérgica.

Assim como com a laranja, o mais comum é uma reação de contacto ao redor da boca por causa da acidez da fruta. Morangos em excesso também podem causar ou piorar assaduras.

E o kiwi?

O kiwi também pode ser oferecido a partir dos 6 meses. Assim como as laranjas e os morangos, o kiwi é reconhecido por libertar histamina e então também deve ser evitado se o bebé teve alguma reação alérgica. Caso contrário, comece com uma quantidade pequena e vá evoluindo a quantidade gradualmente.

E as leguminosas?

Alguns médicos recomendam esperar até aos 8-9 meses para oferecer leguminosas porque podem causar desconforto abdominal. Mas as leguminosas são alimentos super nutritivos (principalmente são fonte de ferro, que é tão importante nos primeiros tempos) que podem ser introduzidos a partir dos 6 meses.

E o desconforto abdominal? Só precisa demolhar as leguminosas por pelo menos 12 horas em água com algumas gotas de limão ou com alga kombu.

E os espinafres?

O espinafre contém níveis elevados de nitratos, que interferem com a absorção de outros nutrientes (nutrientes que são tão importantes para bebés, especialmente numa fase inicial em que comem quantidades muito pequenas) e que se consumidos muito regularmente, podem afetar negativamente os níveis de oxigênio no sangue do bebé. Por essa razão, alguns médicos sugerem não oferecer espinafres antes dos 12 meses.

Mas os espinafres são fonte de ferro, além magnésio, vitamina K e fibras e podem ser introduzidos a partir dos 6 meses. Devem ser cozidos em água, separados de todos os outros alimentos, a água do cozimento descartada e devem ser oferecidos com moderação dentro de uma dieta variada.

Fontes:

NHS – Start4Life: What to feed your baby

Government of Canada – Nutrition for Healthy Term Infants: Recommendations from Six to 24 Months

Ministério da Saúde do Brasil – Guia Alimentar para Crianças Brasileiras menores de 2 anos

American Academy of Pediatrics – Healthychildren.org: Starting Solids

Histamine Intolerance Awareness

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