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Este é provavelmente um dos temas mais complexos que já pesquisei para o site: afinal que peixes pode oferecer ao bebé?

O peixe pode ser introduzido a partir dos 6 meses. É um alérgeno comum e por isso deve ser introduzido com cuidado (ver como introduzir alergénicos neste artigo).

É um alimento super nutritivo, fonte de proteína, ácidos gordos ômega-3, ferro e várias vitaminas e minerais como vitamina A, B12, D, iodo e selênio.

Neste artigo explicamos tudo sobre os contaminantes nos peixes e mariscos, o risco para bebés e crianças (mas também para mulheres em idade fértil, mulheres grávidas e amamentar), que espécies devem ser evitadas e quais podemos oferecer a bebés.

Contaminantes nos oceanos

Os oceanos estão poluídos com metais tóxicos. Estes metais, como o metilmercúrio, dioxinas ou dioxinas tipo Bifenilpoliclorado, acumulam-se no organismo e seriam necessários muitos meses, em alguns casos anos, para serem eliminados. Por isso são especialmente perigosos para grupos de risco como mulheres em idade fértil, mulheres grávidas ou a amamentar e bebés e crianças. A principal fonte de exposição humana ao metilmercúrio dos alimentos é o peixe e o marisco. O metimercúrio é particularmente tóxico para o sistema nervoso e cérebro em desenvolvimento.

As concentrações destes contaminantes nos peixes variam com a natureza do contaminante e o tipo de peixe. Contaminantes solúveis em gordura (por exemplo: dioxinas e compostos semelhantes a dioxinas como o bifenilpoliclorado) são encontrados especialmente em peixes gordos como o salmão e o arenque. 

Em contraste, os níveis de metilmercúrio não estão relacionados com teor de gordura do peixe, mas sim ao seu acúmulo na cadeia alimentar (tamanho do peixe, alimentação, fase da vida na captura). O metilmercúrio está presente em quantidades maiores em grandes peixes predadores, como o espadarte o e atum, especialmente o atum rabilho ou albacora (que, segundo o EFSA não são normalmente encontrados em conservas de atum na Europa). 

Segundo dados da EFSA o atum, espadarte, bacalhau, badejo, lúcio e pescada foram os principais peixes a contribuir para a exposição alimentar ao metilmercúrio em bebés e crianças. A contribuição é calculada com base nas porções médias por sua respectiva percentagem de contribuição para a exposição ao metilmercúrio.

Benefícios vs Risco no consumo de peixe

Segundo a ASAE, a exposição ao metilmercúrio pode resultar em diversos efeitos adversos em diversos órgãos humanos. Além disso, o metilmercúrio passa tanto pelo leite materno como pela placenta.

Os bebés e crianças estão mais suscetíveis a danos, uma vez que o seu o sistema nervoso em desenvolvimento é mais sensível ao metilmercúrio, e desde a fase embrionária até à adolescência os danos
cerebrais são mais susceptíveis de ocorrer que no adulto

Estudos comprovam os efeitos negativos de doses elevadas de metilmercúrio no desenvolvimento neurológico fetal (onde a contaminação é feita pelo consumo da mãe) e crianças (atraso mental, paralisia cerebral, surdez, cegueira e disartria). A evidência científica sugere ainda que o metilmercurio pode causar danos no sistema cardiovascular.

Consumir grandes quantidades destes peixes com níveis elevados de metilmercúrio pode fazer com que a pessoa podem exceda a ingestão semanal provisoriamente tolerável (PTWI; Fonte: EFSA) de metilmercúrio. Pessoas que consumam grandes quantidades de peixes gordos também podem exceder o PTWI para dioxinas e compostos semelhantes a dioxinas. Em bebés e crianças pequenas, esse nível de ingestão semanal é atingido mais facilmente ou com quantidades menores de peixe e frutos do mar.

Mas o peixe é fonte de proteínas, ácidos gordos ômega-3 e certas vitaminas e minerais, como vitaminas A, B12 e D, iodo e selênio. Os peixes gordos são especialmente ricos em ômega-3 (estima-se que o conteúdo de ômega-3 seja de 2g/100g de peixe gordo vs 0,4g/100g de peixe magro).

Além disso, estudos mostram que o consumo de cerca de 1 a 2 porções de peixe e frutos do mar por semana e até 3 a 4 porções por semana durante a gravidez tem sido associado a melhores resultados funcionais do neurodesenvolvimento em crianças em comparação com nenhum consumo de peixe e marisco.

Exemplos de peixe gordo incluem a anchova, arenque, cavala, cherne, enguia, espadarte, lampreia, moreia, peixe-espada, salmão, sarda, sardinha, sável e truta. Nos peixes magros temos o bacalhau, badejo, carapau, carpa, corvina, dourada, garoupa, goraz, linguado, pescada, robalo, salmonete, solha, tainha, tamboril.

O consumo de peixe é benéfico para a saúde cardiovascular e também pode beneficiar o desenvolvimento do feto. O consenso é que os benefícios de consumir peixe são maiores do que os riscos e por isso não é uma questão de deixar de comer de peixe mas saber que peixes evitar. No caso de grupos de risco como bebés e crianças, também limitamos a oferta semanal.

Que peixes podemos oferecer a bebés?

Em relação a bebés e crianças as recomendações são para não oferecer peixes com níveis elevados de mercúrio como atum fresco, espadarte, lúcio e tubarão. Evitar também salmão e arenque do mar Báltico (ver sempre origem na embalagem).

Outros peixes e mariscos com níveis elevados de mercúrio e que consumimos em Portugal: cavala, garoupa, robalo, lagosta. Ver lista completa no site da FDA e a lista (menor) da EFSA (pág. 25).

Tirando os peixes e mariscos com níveis elevados de metilmercúrio, devemos variar a oferta de peixes e dar preferência a peixes com níveis mais baixos.

Peixes e marisco com níveis baixos de mercúrio:

Sardinha (fresca ou em lata)

Salmão (fresco ou em lata)

Anchovas

Carapau

Linguado

Dourada

Arenque

Tilápia

Solha

Lulas

Polvo

Camarão

Vieiras

Os peixes que não estão na lista, têm níveis médios de mercúrio. Isto significa que não precisam ser evitados mas devem ser oferecidos com moderação. Alguns exemplos:

Pargo

Tamboril

Bacalhau

Peixe vermelho

Atum em lata

Peixes gordos

Os peixes gordos têm níveis baixos de metilmercúrio, mas têm contaminantes como dioxinas e e compostos semelhantes a dioxinas como o bifenilpoliclorado. Por isso, a sua oferta deve ser limitada.

Segundo o NHS (sistema de saúde nacional britânico), a oferta de peixes gordos como slamão e arenque, deve ser limitada a 2 porções por semana para raparigas de todas as idades e até 4 porções por semana para rapazes.

No seu guia de alimentação infantil, a DGS faz recomendações e nível da quantidade de EPA e DHA por semana e refere que 1 a 2 refeições de peixe gordo por dia são suficientes para assegurar as necessidades.

Além disso, o salmão e arenque do mar Báltico tem maiores concentrações de metilmercúrio (2,5 a 5 vezes mais) e por isso, deve ser evitado. Em Portugal, existem opções de salmão selvagem do Pacífico congelado e opções de aquacultura da Noruega. Veja sempre a origem na embalagem!

Que quantidades oferecer

A EFSA não dá recomendações de quantidade de peixe a consumir por semana porque diz que depende da base da alimentação do país e por isso as recomendações devem ser individualizadas. A DGS apenas recomenda que os pais oferecem carne 4 vezes na semana e peixe 3 vezes por semana, sendo que a quantidade diária de proteína para um bebé até 1 ano não deve ultrapassar .

No entanto de acordo com uma análise da EFSA, as faixas etárias que excederam a quantidade de ingestão tolerável (TWI definido pela própria EFSA) para metilmercúrio no menor número de porções por semana foram crianças pequenas (1–<3 anos) e outras crianças (3–<10 anos). Em alguns casos de outras crianças, adolescentes, mulheres em idade fértil, adultos e idosos, a TWI foi alcançado após menos e cerca de 1 porção por semana. Na maioria dos outros casos para bebés e outras crianças, a TWI foi alcançado quando o número de porções por semana estava entre 2 e 3.

Um estudo da ASAE destaca a recomendação da FDA e EPA de oferecer aproximadamente 2 refeições médias de peixe e marisco com níveis baixos de mercúrio por semana.

Fontes:

EFSA

FDA

ASAE

Jeffery A. Foran, David O. Carpenter, M. Coreen Hamilton, Barbara A. Knuth, and Steven J. Schwager. Risk-Based Consumption Advice for Farmed Atlantic and Wild Pacific Salmon Contaminated with Dioxins and Dioxin-like Compounds. May 2005. https://doi.org/10.1289/ehp.7626

Sascha C.T. Nicklisch, Lindsay T. Bonito, Stuart Sandin, Amro Hamdoun, Mercury levels of yellowfin tuna (Thunnus albacares) are associated with capture location, Environmental Pollution, Volume 229, 2017.

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